A borboletinha azul.
Acho que não sou o único ser humano no mundo que já sentiu como se tivesse alcançado alguma espécie de nirvana e glorificou a própria pseudo-sabedoria ao perceber algo que, mesmo parecendo meio óbvio para as pessoas ao redor, era simplesmente difícil de enxergar. Hoje eu percebi que nunca, nunca estarei satisfeita independentemente de qual seja a minha situação. Nas minhas tentativas de enganar a mim mesma, me forçando a acreditar nessa coisa meio livro de auto-ajuda da busca pela felicidade nas pequenas coisas, de ser positivo e feliz com o que se tem e todos esses ensinamentos do nosso grande mestre o Dalai Lama, eu já sabia que mesmo que para algumas pessoas isso possa ser mais ou menos uma verdade, para mim nunca seria já que não sou tão otária quanto acredito ser.
Digo, como é que eu posso ficar satisfeita com a minha vida? Pessoas totalmente satisfeitas e realizadas são bizarras e, me perdoe se você é feliz dessa forma tão plena, um tanto quanto burras já que na verdade elas não estão satisfeitas e apenas não se deram conta disso ainda. Bom, talvez eu seja muito mais que elas, uma vez que seria muito melhor para mim ser uma pessoa de bem com a vida que vive sorrindo e costuma dar uma corridinha em volta da Lagoa todo domingo de manhã a ser essa que mesmo quando as coisas estão do jeito que sempre se quis, não consegue aproveitar um momento de felicidade sequer porque repentinamente não quer mais saber daquilo que sempre almejou. Mas, no meu caso, isso não se retém na falta de interesse pelo que é possível e seguro, pelo que eu tenho e que é bom para mim, não é só a vontade de ter outras experiências, amigos, amores ou o que quer que seja que eu não tenha: é uma sensação de estar constantemente necessitada de algo, passa do campo do racional e do que pode ser explicado e entra nessa Twilight Zone que é a minha cabeça.
E é engraçado eu só ter reparado agora que é assim que vai ser pro resto da minha vida, que não, isso não é uma fase como a minha avó sempre costumava dizer pra minha mãe quando eu tinha uns 13 anos. Isso é muito mais que uma fase, é uma característica do ser humano, e no meu caso é muito pior já que desconfio ser algum tipo de personificação dessa droga de característica. Mas é meio ridículo eu ter me sentido tão única e especial por ter feito essa constatação e no caminho de volta pra casa ter olhado pra todas aquelas pessoas felizes ou tristes ou apenas comendo tranquilamente um hot dog na barraquinha e ter pensado "Que tolinhos", até porque eu acho que pelo menos uns 4 dos, sei lá, 7 bilhões de seres humanos no mundo já devem ter tido algum pensamento parecido. Tudo bem, eu sei que tem gente que deve estar discordando de tudo isso que eu falei até agora e eu sou muito sincera quando digo que não os culpo já que muito provavelmente nada disso faz sentido graças à minha incapacidade literária ou, quem sabe, a total falta de sentido que nem é do post, é minha mesmo.
O que eu quero dizer é que tenho necessidades, sim, mas muito mais que isso, eu as sinto. E o que torna isso tudo mais estranho é o fato de eu gostar dessa constante insatisfação que é, por muitas vezes, sem motivo nenhum. Acho que é isso que me faz acordar de manhã, ir pra escola, sair com os meus amigos e fazer tudo o que pros outros é tão normal e corriqueiro, mas pra mim não teria o porquê de se fazer. Sem a minha insatisfação, que eu sei, é a causadora da minha semi-infelicidade (pois é fato que não existe todo esse extremismo de felicidade ou infelicidade plenas), eu não teria a esperança que sinto todos os dias ao acordar de preencher essa lacuna e de me sentir, não bem, mas extraordinária. É que no fundo, e eu não ligo de estar me contradizendo já que nessa arte eu sou mestre, eu quero ser feliz e correr em volta da Lagoa. O único problema é que eu quero isso e muito mais.
"I don't want to have to do this living. I just walk around. I want to be swept off my feet, you know? I want my children to have magical powers. I am prepared for amazing things to happen. I can handle it."
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Isso não é um post.
Polaris
Eu tô meio que viciada em um site chamado U.[lik], que é uma espécie de banco de dados de tudo o que existe no mundo. Ultimamente, o meu passatempo favorito tem sido adicionar ao site tudo o que eu já vi, escutei, li e até mesmo as coisas que eu nunca vi, escutei ou li mas que já ouvi falar. Aí tem essa banda que aparecia na abertura de um seriado que eu gostava, The Adventures of Pete & Pete. Eu nunca parei pra ouvir a banda direito, mas hoje eu acabei lembrando dela e aí baixei o único álbum (que, infelizmente, é a trilha sonora do seriado e fim). Depois, fui colocar a banda no banco de dados do U.[lik], só que as opções de fotos pra "página" dela lá são tipo umas motos ou estrelas ou um pastor alemão... então eu quero ver se colocar uma foto deles com o nome certo faz aparecer uma outra opção, a foto que eu coloquei. Eu não precisava ter explicado tudo isso, mas ok. E eu sugiro a todos que ouçam Polaris, principalmente a música menos desconhecida que é Hey Sandy, é mó legal.
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I'll be your mirror.
Acho que ter uma certa música com alguém, daquele tipo que só de ouvir tocar te traz lembranças e saudades dessa pessoa, é uma coisa bastante comum. Eu também tenho certas músicas pra certas pessoas da minha vida, algumas que viraram nossas de maneira muito natural e outras de uma forma meio que manipulada por nós, mas todas viraram nossas músicas. E também tem aquelas que foram minhas e de outras pessoas e elas nem faziam idéia de que tinham uma música especial comigo, mas isso é total culpa da minha semi-esquizofrenia e também não é um assunto que merece muito destaque aqui. O que realmente importa é que, de uns tempos pra cá, eu comecei a achar que nenhuma música poderia ser tão perfeita para ser a música de um relacionamento, de um relacionamento que é meu, quanto essa do Velvet Underground. Se eu tivesse que pensar nas exatas palavras que eu gostaria de ouvir de alguém, no que eu realmente preciso escutar e no que me faria a pessoa mais feliz do mundo, seria isso:
I'll be your mirror
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I find it hard to believe you don't know
The beauty you are
But if you don't let me be your eyes
A hand to your darkness, so you won't be afraid
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I'll be your mirror
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Try your wings...
Blossom Dearie
Eu tava procurando cenas de um filme que eu gosto bastante no YouTube, daí achei um vídeo que é tipo uma montagem de várias cenas desse filme. Só que esse post não tem tanto a ver assim com o vídeo e menos ainda com o filme (que aliás, se chama "Minha Vida Sem Mim"), é que eu me apaixonei pela música que a pessoa que editou o vídeo colocou nele. A música se chama "Try Your Wings", é de uma cantora e pianista de jazz chamada Blossom Dearie e também é um dos pequenos acontecimentos na minha vida que me fazem ver que ainda tem muita coisa que eu preciso aprender sobre música, muita mesmo. Vou colocar a letra aqui, até porque eu demorei um pouquinho pra conseguir achar e se eu não salvar em algum lugar até o Hulk (meu cachorro) vai me achar uma mongolóide.
"Try Your Wings"
music by Michael Barr, lyrics by Dion McGregor, performed by Blossom Dearie on LP "Give Him The Oo-La-La" (Verve, 1957).
If you've never been in love
And you're longing for the happiness it brings
Try your wings
If you're hungry for the sound
Of a lover saying sentimental things
Try your wings
Even the tiniest bluebird
Has to leave its nest to fly
What a bluebird can do
You can do too, if you try
If you've always had a dream
But you've been afraid that it would not come true, hitherto
Fall in love and you will find
That it's just what you've been dreaming of
A first love never comes twice
So take this tender advice
When it comes, try your wings
And fly to the one you love
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Aumbauê.
Então, nem sei qual título dar pra esse post, afinal, não vou me apegar muito a nenhum assunto. É que hoje eu senti a maior vontade de postar algo aqui, só que eu não tenho muito sobre o que falar e essa coisa de diário já tá me irritando. Acho que o melhor a fazer é parar de preguiça e começar a escrever como eu fazia antes, o único problema é que a minha falta de animação e a minha insegurança tão atrapalhando como nunca. Enfim, tô meio desanimada com o fato do último show do Los Hermanos ser no dia do meu aniversário e todo mundo ir (não que eu não quisesse ir) e a minha comemoração acabar sendo ir no show e fazer algo ali pela Lapa. Ou seja, vou comemorar meus 17 anos fazendo mais ou menos o que eu poderia fazer num dia normal e além do mais sem ter escolhido isso (afinal, eu sei que se eu fizer uma coisa diferente todo mundo vai ficar puto comigo ou ninguém vai aparecer ou vão aparecer e ir embora depois de dois minutos). Uma coisa que me deixou bem animada, por outro lado, foi saber que talvez o Arcade Fire venha de novo ao Brasil e que dessa vez eu não vou perder o show.
Mó preguiça pra terminar esse post decentemente, então só vou comentar que acho triste demais a Paris Hilton ter sido condenada a 45 dias de prisão (acho que foi isso). Sério, se até a Paris Hilton que é ela pode ser julgada como qualquer pobre mortal e condenada como qualquer pobre serial killer (-q), eu só tenho a dizer que a minha esperança na vida tá abalada. Não que eu goste da Paris, na verdade acho que pessoas como ela têm mais é que ser condenadas à câmara de gás, mas poxa, se nem ela é inatingível o que sobra pra nós, pessoas comuns? Minha sugestão é sair gritando pelas ruas no maior estilo Fúria Jovem: "Paris, não se vá". Beijos, galera.
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Never mind the Buzzcocks.
Ok, um dos melhores shows que eu já fui, mas queria ter aproveitado mais. Agora que tô descansada e no conforto da minha casa não consigo parar de pensar "Por que eu não pulei e gritei como todo mundo?". Tá, eu tava morrendo de frio e cansaço, o show atrasou umas duas horas e eu ainda tive que aguentar duas bandas das quais eu não gosto muito tocarem antes dos Buzzcocks, mas poxa, não consigo me perdoar por ter sido uma velhinha reumática na hora do show. Mas de qualquer forma foi bem legal: afinal, consegui tirar uma foto com o Tony Barber e outra com o Pete Shelley, mas as duas foram tiradas no celular da Isa e ficaram meio ruins, principalmente a do Pete que não dá pra ver nada porque tá muito escura. Sem contar que antes do show ainda presenciei o Cido dançando YMCA com um grupo de teatro todo hippie em frente aos arcos da Lapa.
Mudando de assunto, acho que as coisas tão começando a melhorar. Talvez seja porque eu meio que percebi como tava agindo que nem uma imbecil em quase todos os aspectos da minha vida e eu preciso dizer como isso é impressionante: mesmo tentando me controlar pra não ser uma completa idiota com os outros e comigo mesma, eu sempre consigo ser ruim, mentirosa, burra, retardada e por aí vai a lista de qualidades. Eu sinto que eu perdi grande parte das coisas boas que eu já fui e eu preciso encontrá-las, mesmo. Eu preciso porque a vida é péssima se você é péssimo, dá tudo errado. Há pouquíssimo tempo atrás eu não tava me importando com nada e tava com raiva do mundo inteiro, assim, sem motivo (motivos eu até devia ter alguns, mas não sou Freud pra saber quais, é uma coisa que não tá bem clara pra mim). Além disso a única coisa que eu queria era me divertir e foda-se o mundo ou as brigas com a minha mãe por causa dessa diversão. Sabem aquela expressão "inferno astral"? Eu não sei o que significa, mas se alguém me pedisse pra dar um significado a ela, bem, seria essa fase pela qual eu passei. E voltando a falar de como minha vida tá no presente, é claro que nem tudo tá ficando melhor, mas eu sinto que uma parte das coisas que não vão voltar a ser como eram antes também não vão me fazer falta alguma, ao menos não agora. Mas, quem sabe, talvez num futuro meio distante eu me encontre deitada num divã contando a um total estranho como minha vida foi afetada por certas situações e pessoas quando eu tinha dezesseis anos. Só sei que vou me esforçar pra alcançar uma certa paz em casa, no colégio, em mim... preciso, né.
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Imagini.
Então, achei esse site mó legal que te diz como você é através de imagens que você escolhe para representar o que você chama de liberdade, amor, o que gosta de fazer etc. A idéia de precisar de um site pra saber quem você é não é tão boa, mas fazer esse "teste de personalidade" é bom pra quem é meio confuso sobre si mesmo ou pra quem não tem nada melhor pra fazer. É claro que, sendo uma espécie de programa, o Imagini pode te dar um resultado que não tenha nada a ver com você, mas eu gostei e me identifiquei com o meu. Então taí o meu teste (se é que isso pode ser chamado de teste):
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Insônia.
Inquietação e madrugadas excitadas pelo nada. Trocista, a noite parece regozijar-se ao ser expectadora do meu vai-e-vém na cama, do enrolar e desenrolar dos lençóis e dos meus súbitos desejos de caminhar pela casa. E finge não saber de nada quando é ela minha ouvinte mais atenta e, quem sabe, a única. Porém meus pensamentos madrugadores não se retém na noite e na maneira impassível com a qual encara minha situação. Vão além, em direção a assuntos muito mais importantes e seria improcedente se eu me detesse aqui por muito tempo. E mesmo que assim o fizesse, a quem poderia interessar o lamento sem sentido de uma pessoa tão sem importância quanto eu? Afinal, que culpa tem a noite? Se eu não posso fechar os olhos sem que minhas confusões e tormentos pessoais me perturbem isso é um problema meu. E aposto que o mundo já está cansado desses poetas da madrugada com seus textos medíocres e versos de pé-quebrado. Mas é difícil não me arriscar por entre estas linhas tortas quando justo eu, poço de trivialidade e presunção, me vejo debruçada sobre o abismo do inexplicável. De mãos atadas, nada mais posso fazer além de me revirar na cama, culpar a noite e poetizar meu sofrimento.
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Norótico.
Há tempos não escrevo, sinto falta disso. Acho até que há tempos não penso. Digo, até penso, mas tenho andado muito prática ultimamente, quase robótica. Tenho vivido e feito as coisas do dia-a-dia quase que por reflexo. Eu costumava me sentar, olhar o nada e pensar. Ler um livro e pensar, refletir sobre ele. Refletia sobre tudo, o que vejo, sinto, vivo e depois escrevia sobre minhas reflexões. Não sei o porquê mas ultimamente não tenho andado no clima (best expressão ever) de ser o que sempre fui e fazer o que sempre fiz. Ao invés de ser, sentir e pensar escolho me deitar na cama e assistir a um programa qualquer na televisão. Só escrevo agora porque estou na sala de espera do dermatologista (não mais ok) e escrever é mais legal que ler, sei lá, Marie Claire. "Eu, leitora: Namorei meu irmão sem saber!", reflitam.
Sei lá, tenho pensado em iniciar um projeto, algo que seja diferente e me tire da rotina. Queria escrever um livro e sei que isso pode parecer muita pretensão minha, mas é algo que eu gostaria de fazer. Hoje, no ônibus, durante minha vinda ao consultório, tentei imaginar um tema para um livro e não cheguei à nenhuma conclusão. Até que percebi que o nada seria um ótimo tema. Quer dizer, não sei se outras pessoas pensam como eu e não posso falar por ninguém, o nada me atrai e ponto final. Mas o que seria esse nada? Para mim, a total falta de pretensão, vontades ou sonhos de mudar o mundo. Esse livro não tentaria mudar uma pessoa sequer, não passaria de meros devaneios sobre tudo, sem se prender a nada. E eu quero escrever esse livro, o livro do nada. Aposto que com a minha capacidade para a escrita não será um dos melhores, mas acho que não custa muito tentar, custa, mas não muito. Além disso, se eu quero ser o que sonho devo começar a parar de sonhar e ser.
Mudando de assunto, o Tim Festival tá chegando e eu tô bem animada. Nunca gostei muito de Yeah Yeah Yeahs, mas não que eu não gostasse, sabem, eu só nunca prestei muita atenção. Mas agora tenho escutado os dois álbums diariamente e tenho grandes expectativas para o show. Eu sei que isso soa bem idiota, ouvir tal banda só porque a mesma fará um show no Brasil, mas eu teria ouvido antes se não fosse a preguiça que me assola. Acho que esse fim-de-semana vai ser demais, também, mereço me divertir depois de uma semana de provas como essas que eu tô tendo. Hoje é terça-feira e eu já tenho quase certeza de que zerei em Fisqui (de novo) e não sei como fui em Geografia, enrolei pacas e é nóis. Ah, eu também vou conhecer o Edusto e a Dani nesse fim-de-semana, o que será bem legal (beijos galera). Ok, fim.
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Quarta-feira.
Eu ouvi o Magnets do The Vapors e me decepcionei. Sabe aquela coisa de criar grandes expectativas sobre certas bandas, expectativas essas baseadas no primeiro álbum delas, e depois ficar abismado (linda palavra) com o quanto o segundo álbum nada tem a ver com o primeiro? Então, comigo foi assim.
Não tenho falado muita coisa sobre mim por aqui, então este post vai ser no estilo "Querido Diário". Bem, minhas aulas voltaram e esse período que eu tô cursando agora é o marco inicial das matérias técnicas. Até agora tá tudo indo bem, afinal, só se foram três dias... Eu tô bem animada com essa coisa de estudar pra caralho e a responsabilidade de estar cursando um curso técnico. Cursando um curso, ok.
Mas continuando, além dessa coisa do colégio, eu me mudei. É bem legal morar com outras pessoas além da minha mãe. É bom não se sentir sozinha o tempo inteiro, ter sempre barulho e gente em casa. Ao mesmo tempo, não tenho aquela liberdade toda de antes, nem a quase total privacidade. Mas, por enquanto, eu tô gostando de tudo, até do bairro e do caminho de volta pra casa. Perto do ponto de ônibus tem uma pracinha bem bonitinha e minha rua é ótima, comprida, cheia de árvores e gente. Tem algumas casas também, adoro casas. Laranjeiras é um bairro muito legal mesmo, parece saído de algum livro lindo e triste. Haha, ok. Laranjeiras me lembra aquela música da Cássia Eller "Estranho é gostar tanto do seu All Star azul. Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras, satisfeito sorrio quando chego ali...". Acho que vou aproveitar esse fim-de-semana pra explorar o bairro, adoro a idéia de fazer esse tipo de coisa, pena que nunca tenho saco para trazer a idéia para o mundo real.
Minha professora do IBEU, Ana, é uma pessoa espetacular, fora de sério mesmo. Além de ser uma ótima professora, ela é toda engraçada e tem um ótimo gosto musical-cinematográfico-literário. No semestre passado ela gravou alguns discos pra mim com as trilhas sonoras de filmes dos anos 80 como Hair e Dirty Dancing, demais mesmo. Na última aula ela levou uns livros dela e disse pra gente escolher os que quisesse, de presente. Me aproveitei e levei vários, entre eles uma seleção de poemas do Edgar Allan Poe e O Pequeno Príncipe em inglês. Acho O Pequeno Príncipe um livro fantástico, do tipo que você descobre coisas novas a cada leitura, não só sobre o livro como também sobre você. Descobre o quanto as coisas que você viveu desde a última vez que leu o livro mudaram sua percepção das coisas, demais e ao mesmo tempo assustador. Qualquer dia desses eu faço uma resenha sobre O Pequeno Príncipe (falou a escritora-cult-inteligente).
Não tenho muita coisa pra dizer além disso, minha vida vai indo e não posso dizer que mal (mas posso arranjar vários argumentos babacas para dizer que vai mal, sim), só que vai indo. E aquela sensação de que tá faltando algo continua a perturbar, impertinente. Agora há pouco ouvi "Heaven Knows I'm Miserable Now" e, na sequência, "William, It Was Really Nothing". Não sei o porquê, mas chorei quando o Morrissey disse "It was really nothing".
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